Depois da derrota para o Corinthians em casa, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro, ficou um sentimento estranho no ar. Não sei dizer o que era... Mas posso garantir que não tinha nada a ver com desilusão, decepção ou simplesmente tristeza. 

Talvez poderíamos chamar de raiva. Raiva em saber que o Grêmio teve a chance de vencer aquele jogo e infelizmente não conseguiu. Raiva por saber que o Grêmio joga o melhor futebol do Brasil na atualidade e não conseguiu tomar a ponta da competição.

Posso dizer que essa raiva ficou guardada, represada, e ela explodiu em forma de gols na quarta-feira seguinte, contra o Atlético-PR. Pois é aí que eu queria chegar. O Brasileirão que me desculpe, mas eu quero as copas. Isso mesmo, as duas copas, a do Brasil e a Libertadores. Rei de Copas, Copero, especialista em mata-mata, chamem como quiserem, mas o sentimento que o gremista nutre por esse tipo de competição é quase inexplicável.

Gostamos de saber que não podemos tomar gol dentro de casa por conta do saldo qualificado, apreciamos sair de Porto Alegre e marcar aquele golzinho maroto que nos dará passagem à fase seguinte. O gremista espera por sorteio de adversário como espera por um gol, curtimos sair pelo Brasil ou América (como em 1983 contra o Estudiantes) afora desbravando e peleando em territórios hostis ou simplesmente desconhecidos. 

Nas Copas, o coração bate mais acelerado, dá um friozinho na barriga e é ali que o Grêmio cresce ainda mais, é nas copas que o Tricolor fica gigante.

Ok, sei que ainda fica um gosto amargo de 2007, mas amargo é aquele que não tem esse sentimento de pertencimento, é amargo aquele que não espia o chaveamento para saber qual o caminho podemos percorrer. Verdade também que nós gremistas tivemos um enorme hiato de brigas por taças e por esse friozinho na barriga, mas tudo isso só serviu para aumentar a paixão por esse tipo de competição. A conquista do ano passado reacendeu a chama que jamais se apagará.

Chegou nossa hora mais uma vez. O Brasil ou a América (e por que não os dois?) nos esperam, o Grêmio copero voltou. Hoje, em Mendoza, mais uma vez vamos provar desse sentimento, vamos confiando na melhor zaga do Brasil, na qualidade do meio-campo passador e crentes de que nosso ataque matador vai mostrar mais uma vez a nossa força além fronteiras.

Texto publicado na coluna De Fora da Área, na Zero Hora de 4 de julho de 2017. Ver aqui.

Comment